domingo, 23 de março de 2014

A Flecha


 
 
E então o cupido se entristeceu ao ver tantos casais juntos, enquanto que ele estava sozinho.
Ele queria sentir aquele prazer que seu trabalho proporcionava para os outros.

O que seriam aqueles sorrisos?
Como seria beijar alguém?
Como seria sentir aquele aperto no coração que suas flechadas faziam naqueles casais?

O cupido sorria, mas seu sorriso não era como os sorrisos que os casais davam.
Ele era feliz, mas perto da felicidade que os casais sentiam quando andavam de mãos dadas ou quando se abraçavam, a felicidade do cupido nada mais era que uma pequena ilusão.

Dia após dia, o cupido soltava suas flechas, se perguntando quando seria acertado por uma, mas esse dia nunca chegava.

E então, em pleno desespero para sentir o amor, ele pegou seu arco e ao apontou para si mesmo.

O que ele sentiu foi uma dor como nunca sentira antes.

O cupido foi encontrado deitado no chão, sem forças, sem respiração, com sua própria flecha fincada no peito.

E até hoje, sua história é contada aos demais cupidos, para que não tentem fazer o que não lhes é devido.

Para que não tentem se apaixonar.

 

Dodo.

A Escola Errada


 
 
A sensação é de que estudamos na escola errada.

A sensação é de que na prova da vida, caíram questões que não nos passaram.

Crescemos aprendendo ideais e ideias que, hoje em dia, parecem ter sido esquecidos.
Parece que o mundo correto se tornou um conto de fada, não existente, uma estória para crianças.

Aprendemos que, se você trabalhar duro, terá algo.

Mas o que vemos são pessoas ricas que usam quem realmente trabalha para se manterem lá no alto.

Aprendemos que você deve fazer o que gosta, mas o que vemos é uma sociedade que te obriga à fugir de seus sonhos.

Aprendemos que a inteligência guia o ser humano, mas o que vemos é que na verdade são os desejos carnais que movem cada um de nós.

Aprendemos que o amor verdadeiro existe, mas o que vemos é um amor baseado no corpo sarado, no rosto bonito, no papo furado e na marca das roupas e carros.

Aprendemos que os grandes nos inspirarão, mas o que vemos sãos ídolos vazios, que aparecem na manchete ou por estarem sem roupa ou por terem pegado outro famoso na balada.

Aprendemos que devemos fazer o que é certo, mas o que vemos é que fazendo  o errado, ganhamos e somos muito mais reconhecidos.

Aprendemos que devemos olhar primeiro os olhos de uma pessoa, mas o que vemos são pessoas olhando primeiro a bunda, depois os seios, depois o corpo, depois o carro, depois o cargo e depois a marca da roupa.

Aprendemos que ser puro nos levará à algum lugar, mas o que vemos é que somente a safadeza faz sentido e é apreciada.

No curso desse mundo atual, sinto muito em dizer, mas eu reprovei.

 

Dodo.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Eclipse


 



Lembra-se de quando
De um modo simples a gente se conheceu?
De quando já não havia nada para mim,
E você do nada apareceu?

Foi aos poucos,
Fomos um do outro cuidando,
Passo a passo,
Esse sentimento foi se transformando.

Todos os seus segredos,
De cor eu sei,
Sempre estive do seu lado,
E meu coração diz que sempre estarei.

Nos momentos difíceis,
Seu ombro era meu alicerce,
Estar com você é como um sonho,
Do qual a gente nunca se esquece.

Quando caminhavas,
Pelas duras veredas da dor,
Lá estava eu,
Acompanhando-te com muito amor.

Quando estavas alegre,
Com seu sorriso a demonstrar,
Lá estava eu,
Sempre a te amar.

Eu ainda me lembro,
De quando certa vez estava sozinha a chorar,
E me lembro que você veio,
E minhas lágrimas você me ajudou a secar.

De longe,
Eu sabia que sentia algo,
Que eu não sabia chamar,
Mas eu encontrava a razão,
Quando o sol estava a olhar.

Aos poucos a gente
Foi se descobrindo,
Algo maior que essa amizade
Foi surgindo.
Não sabia na época explicar,
Só sei que estava sentindo.

Era algo bom,
Algo há tempos esquecido,
Algo belo,
Bom de ser vivido.

Estar ao seu lado
Tornou-se uma obrigação,
Estar ao seu lado
Fazia bem ao meu coração.

Só não sabia o porquê,
Não sabia explicar a razão,
Mas quando eu olhava para a lua
Sentia certa emoção.

Coisas simples, corriqueiras,
Como horas seguidas a conversar,
Rirmos juntos de palhaçadas,
O simples pôr do sol olhar.
O movimento das pessoas,
Os carros a ir e vir,
Coisas como um
Programa de tv juntos assistir.

Tudo foi se tornando
Tão único, tão especial,
Esse sentimento crescendo,
Foi tudo tão natural.

Todas as músicas
Começam a me lembrar você,
E foi escutando elas
Que comecei a entender.

Tudo começou a fazer sentido
Quando parei de me prender,
Quando tirei as amarras do orgulho
E comecei com outros olhos te ver,
Quando o medo de me apaixonar
Eu comecei a perder.

Tudo mudou de cena,
Quando escutei meu coração bater.

Tudo mudou de cena,
Quando deixei meu coração para mim dizer:

“Meu amigo,
Eu estou apaixonado por você.”

Ainda não sei explicar,
Muito menos quero entender,
Só sei que sua amiga,
Não posso mais ser.

Isso que bate dentro de mim
Já passou do comum.
Algo tão bonito, tão puro,
Não quero que tenha fim.

Só agora consigo responder,
A pergunta que me fez noites
Acordada ficar,
Somente quando em um dia
Vi um eclipse se formar.

O sol e a lua,
Lá no céu, juntos fazendo o dia escurecer.
É algo raro, único, belo
E difícil de acontecer.

Você é o sol,
Que há tempos ilumina minha escuridão.
Acho que sou a lua,
Que brilha no seu céu em ascensão.

Mas quando estamos juntos,
Sinto que formamos um só coração.

(Poema feito sob encomenda para uma amiga)  

 

Dodo.






Será Que Não Vale A Pena?




Será que não vale a pena
Ter um sonho a dois,
Mesmo sofrendo hoje
Para ser feliz depois?

Será que não vale a pena
Ter o coração batendo,
Ter ele um pouco judiado,
Sentir hoje ele doendo?

Será que não vale a pena
Simplesmente acreditar
Em algo que não existe mais,
Um ideal a sonhar?

Será que não vale a pena
Deixar hoje alguma lágrima cair,
Para que depois
Você possa sorrir?

Será que não vale a pena
De vez em quando se enganar,
Descobrir o que você não esperava,
Para depois finalmente acertar?

Será que não vale a pena
Alguma vez se decepcionar,
Lutando pelo que se acredita,
Mesmo que isso possa te magoar?

Será que não vale a pena
Sentir um pouco de dor,
Para que mais na frente,
Você conheça o verdadeiro amor?

Será que não vale a pena tentar?
Será que não vale a pena arriscar?

Será que não vale a pena
Esperar pelo amor da sua vida?

Dodo.

Sem A Anjinha


 
 
O céu ficou um pouco mais escuro,
Os prédios ficaram mais cinzas,
As horas nada me trouxeram.

As nuvens não tinham formatos,
O vento mal passou pelo meu rosto,
Os raios de luz nem vieram.

O sol parecia a lua,
O jornal da manhã não apresentou nada de relevante,
Não prestei atenção em nada do que disseram.

O calor estava frio,
Se estava gelado, nem senti,
As diversas paisagens, diferença nenhuma fizeram.

As palavras foram poucas,
Os pensamentos, longínquos,
Inspirações nem aparecer quiseram.

Foi como se o mar tivesse perdido o sal,
A comida, o sabor,
Foi como estar acompanhado,
Mas ao mesmo tempo sozinho, por onde eu for,
Parecem velhas lembranças,
Que teimam em se transpor,
Entre meu tempo presente,
Entre essa insensível dor.

Tudo o que hoje fiz,
Parece que fiz por fazer,
Em nada do que colocava minha mente,
Sentia prazer.

Eu gosto muito dela,
E talvez isso seja difícil de compreender,
Como explicar o meu coração que sente,
Mas que não pode a ela oferecer?

O rostinho dela, tão lindo,
Apenas escutando,
Aqueles olhinhos brilhantes, cheios de palavras que não precisaram ser ditas,
Apenas concordando.

Quando eu a senti,
Pude então perceber,
A intensidade daquilo,
Que ela não conseguia dizer.

Por dela muito gostar,
Não sei muito que falar,
Mas a última coisa que eu desejaria,
Era ela machucar.

Não é culpa dela,
Assumo a culpa como minha,
Embora seja estranho eu dizer,

Foi triste meu dia sem a anjinha.

 

Dodo.
(Para minha melhor amiga...)

domingo, 12 de janeiro de 2014

Século XXI


 
 
Século que substitui o verde do campo pelo cinza das empresas.
Que coloca na cabeça de todos que tudo está bem.
Século onde ser romântico é motivo de chacota.
Que exclui e machuca os sinceros.
Século onde tudo se resolve com um whyski e uma balada.
Que obriga todos os jovens a gostarem de balada, sem nem saberem o por que.
Século de aparências, onde tudo é apenas interesse.
Onde a beleza de um rosto e do corpo fala mais alto que a beleza de um coração.
Século falso e hipócrita.
Século de falsos sorrisos e máscaras que cobrem rostos e almas.
Que pergunta quem é você e não vê o que você faz.
Século de vaidades.
Século de melissas, chapinhas, carros, perfumes importados e roupas de marca.
Século exibido, que precisa tirar foto não para guardar uma memória, mas para mostrar aos outros sua vida e o quanto se é cool.
Século imbecil que idolatra os que não se esforçam e se esquece dos que acordam 5 da manhã e ganham um salário mínimo.
Que reverteu o que era bonito em esquisito, e o que era feio em moda.
Século pagão!
Que idolatra Deus com a boca, mas que mal cuida do seu próximo.
Século estranho e confuso, onde cada passo dado à frente é sempre dois para trás.
Século de tantos filósofos medíocres e filosofias de vida sem nexo.

Bem vindos ao século XXI.
Apertem seus cintos e aproveitem a viagem, que provavelmente será só de ida.

 

Dodo.

 

Resoluções de Fim de Ano



(esse texto é antigo mesmo. Estava encalhado aqui. E sim, sou um grande fã de Calvin e Haroldo. XD)
 
 
Bom, resoluções de fim de ano....como os X-Men fazem. Rs

Ano passado eu fiz um resumo de 2010, e o que esperava alcançar em 2011. E como todo ano, temos 365 chances de sermos surpreendidos, tanto por coisas boas como por ruins. Digamos que 2011 foi....um ano de coisas que eu não esperava que acontecessem.

Esse ano, não vou fazer nada disso.

Não é que eu não tenha esperança, não, nada disso, pelo contrário.

Digamos apenas que estou um pouco desesperado desde que eu nasci para fazer algo que mude o mundo.

Sinto cada vez mais que conforme cada ano passa, sou cobrado por algo que ainda não fiz e a cada ano que passa percebo que não fiz ainda e isso vai me instigando.

Vai ver sou maluco, mas os mais brilhantes de nossa espécie também foram chamados assim. (teve uns que até morreram).

Mas aí me lembro do que o padre da igreja que freqüento disse uma vez:

“Por que estar tão preocupado em fazer grandes feitos, salvar o mundo, mudar o mundo, primeiro se preocupe em fazer grandes feitos começando com pequenos atos. Comece com pessoas que você conheça que estão perto de você.”

2011 foi um ano... diferente... (claro né besta, já viu um dia ser igual ao outro?)

Descobri muita coisa, principalmente o que posso fazer e o quanto posso crescer nisso.

Leio e me inspiro nos grandes da humanidade como sempre, mas continuo sendo pequeno. Vai ver eu seja isso, pequeno ainda, não sei. Pequeno sonhador perdido em um mundo que proibiu os sonhos.

Quanto mais eu erro mais orgulho sinto. (pirou?)

Pelo contrário, é isso mesmo. Porque isso me mostra que ninguém é perfeito. E como fazer algo pelos imperfeitos? Sendo um imperfeito horas...

Tenho pessoas muitos boas ao meu lado e sou muito grato por isso.

Quando penso que vou ficar sozinho de vez e me afundar, pronto... lá vem alguém especial para me tocar.

Mas ainda não consegui ficar 100% do tempo aqui. Não tem jeito, parece que existe o planeta Terra, e do lado dele tem uma sala isolada, e é lá que eu gosto de ficar, sem barulho nenhum, sem sujeira nenhuma.

De vez em quando vou para lá, quando as coisas estão bem ao contrário do que deveriam.

Lá o tempo não passa, lá nada passa.

Mas ainda sinto medo de ficar lá para sempre, me perder por lá ou ainda, não querer mais voltar para cá. Sempre tive medo disso.

É incrível como cada ano aprendemos algo incrível e algo novo, que provavelmente vai ser derrubado no próximo ano, e aí veremos que não era tão grande assim, e daí no próximo ano, a mesma coisa, e no próximo, e no próximo....é até engraçado.

Quando achamos que aprendemos e que agora é só relaxar, lá vem a vida dizendo:

“Opa meu caro... isso não está certo. Isso está certo.”

Devo rir? (Sarcástico....)

Enfim, nem era para ter escrito tanto assim, mas blz.

A todos que estiveram comigo durante 2011 sou muito grato a vocês. Cada pessoa é bela e especial a seu modo, e a cada dia que passa eu vejo o quão incrível são os seres humanos.

Claro que eu gostaria que muita coisa tivesse sido diferente em 2011, mas fazer o que...

Vai ver não são todas as pessoas que conseguem ler o que há dentro do meu coração, e menos ainda as que conseguem enxergar o que escondo nos meus olhos, vai ver nem todas as pessoas gostam do que é belo, verdadeiro, e vai ver nem todas as pessoas se permitam dar a chance a isso. Ou vai ver estão todos certos e eu não seja mais do que um bobão.

Afinal, quem tem pura certeza de algo nessa vida?

2011 foi do jeito que deveria ser, assim como sempre é.

É a única coisa que posso crer.

Para 2012? (É... já não falou demais não?)

Em 2012 meu único desejo é que Deus possa endireitar-me nas veredas que Ele mesmo escolheu para mim.

E não só a mim, mas a todos nós, seus filhos.

Feliz ano novo a todos.

 

Dodo.