domingo, 19 de maio de 2013

Dizem Que a Solidão




Dizem que a solidão,
É apenas imaginação.
Fraqueza sentida,
Pela simples exatidão.

Dizem que a solidão,
É um estado da mente,
Que nasce da fantasia,
De gente estranha como a gente.

Existem diversas maneiras de se sentir sozinho,
Nem sempre é preciso estar desacompanhado.
Às vezes basta olhar para o lado,
E não concordar com o que se vê pelo caminho.

Daí você percebe que está sozinho.
E que não adianta falar sobre isso.
Quem é capaz de saber o que se passa dentro do coração do outro?
Quem realmente sabe o que o próximo está passando?

Solidão,
Às vezes é puro desatino,
Solidão às vezes,
É simplesmente estar preso dentro de um destino.

É não ter escolha,
É ser único, sabendo que isso não há de mudar,
É não achar nos outros,
Aquilo que desde sempre em você mesmo estás à procurar.

É se doar,
Acreditar, sonhar,
Crer, o certo realizar,
Mas no final das contas,
Olhar para o lado e mais ninguém encontrar.

Daí você percebe que está sozinho.
E que não adianta falar sobre isso.
Quem é capaz de saber o que se passa dentro do coração do outro?
Quem realmente sabe o que o próximo está passando?

Basta às vezes ver diversos sorrisos,
Mas não achar o motivo da graça,
Basta ver seu mundo afundar,
Não importando o que se faça.

Para alguns, é simples drama,
Para outros é pura palhaçada,
Para outros motivo de internação,
Para outros síntese de depressão.

Assim é a solidão.....ou quase isso.
Dodo.

A Culpa




É um pouco estranho,
Ter a certeza antes mesmo de acontecer.

Pode ser culpa dos meu sonhos,
Que terão pura certeza do que sonharam quando te ver.

Talvez seja culpa dos seus olhos,
Que me darão a certeza de ter um amanhã.
E que terei certeza de sempre ter buscado algo igual.

Ou talvez será culpa do seu sorriso,
O qual me esforçarei ao máximo para te fazer mostrá-lo.

Talvez seja culpa do seu rosto,
Que há dias não sai da minha cabeça e que agora terei certeza que não sairá das minhas noites.

Com certeza a culpa é minha,
E com certeza do meu coração, que não para de pensar em você.

Dodo.

sábado, 13 de abril de 2013

O Que Fazer?




O que fazer quando o mundo te machuca?
Onde buscar auxílio?

O que fazer quando as lágrimas querem sair?
Fingir que tudo está bem como os hipócritas? Que ignoram seus próprios corações?
Fingir ser forte e intocável, como os supostos bonzões do séc. XXI?

O que fazer quando as pessoas dizem uma coisa, mas fazem outra?
Quando sonham com algo, mas escolhem outra coisa totalmente diferente de seus sonhos?
Devo seguí-los?

O que fazer quando a mentira ganha da verdade?
Acreditar nas poesias e nas mensagens de bondade e esperança que mais parecem contos infantis que nada mudam minha realidade além de me trazer ilusão?

Quando tudo fica bem para os conformados, o que fazer quando se é um revolucionário?
Quando se quer mudar o mundo, o que se faz?

O que fazer quando você está certo?
Quando o seu certo é errado para todos? O que fazer?
Calar-se?
Fingir-me de cego?

O que fazer quando um sentimento verdadeiro é desprezado?
Recomeçar?
Pintar uma máscara de palhaço e sair nas ruas jogando confete?

O que fazer quando não se esquece as coisas boas nem as coisas ruins?
O que fazer quando se quer responder à ambas as coisas?
Por que se deve esquecer?
Acaso a justiça deve ser esquecida?
O certo deve ser esquecido?

O que fazer quando não se esquece um sorriso?
O que fazer quando se percebe que nunca irá se esquecer de um sorriso?
Chorar?
O que fazer quando isso é a única coisa que se tem vontade de fazer?

O que fazer quando se descobre que todas as suas vontades, ideais e valores vão de contra à você mesmo?
Sumir? Se esconder?

O que fazer quando se quer que o dia acabe, mas as horas passam devagar?

O que fazer quando não há lugar seu?
Ir embora?
Mesmo quando não existe um lugar seu?
E se já houve e você perdeu?
E se existir apenas um lugar seu? E este lugar está preenchido por outra pessoa?

O que fazer quando se foi fundo demais?
E se você descobriu que quanto maior a bondade, maior é a maldade que te espera?
Que quanto mais você luta, mais perde?
Que todos sorriem para você e te engrandecem, mas no final do dia você estará sozinho em seu quarto?
E se você descobriu que todas as pessoas boas e que te inspiraram morreram sozinhas, drogadas, crucificadas, simplesmente por serem diferentes?
E se você chegou à conclusão que os diferentes são exterminados todos os dias?
E que não há lugar para pessoas especiais?
E se você descobriu que pessoas especiais possuem toda razão em se transformarem em pessoas mundanas?

O que fazer quando os olhos das pessoas que você mais ama apenas demonstram decepção, simplesmente por você não ser ou ter o que eles desejam que você tenha?
Vai se esconder nas palavras?
E se suas próprias palavras são facas apontadas para você mesmo?

O que fazer?
O que você faz?
Deixa ser-se atingido por você mesmo?

Dodo,

O Que É O Homem?




O que é o homem sem o que ele criou para se proclamar homem?

O que é a mulher sem maquiagem?
O que somos nós sem perfume, sem desodorante?
O que somos nós sem roupas?
Se deixarmos o cabelo crescer e não cortarmos? O que seremos nós?
Animais?
O que é o ser humano se ele ficar três dias sem tomar banho? Um indigente?
Um lixo?
O que somos nós sem as casas, prédios e empresas? Seríamos como 
toupeiras? Viveríamos debaixo da terra? Em cavernas? Seríamos sem vida?

O que é o homem sem o que ele criou para se proclamar homem?

Somos melhores que os macacos? Que os animais da selva?
Somos "limpinhos", "purinhos", "bonitinhos" e "perfeitinhos"?
Somos o que temos por fora? Ou por dentro?
O rímel dos nossos olhos, vale mais que a palavra doce do conforto?
O batom, o cabelo e o decote são mais importantes que o pão do mendigo?
Não?
Então por que nossos olhos procuram isso e não vêem nosso irmão morrendo 
de frio em nossa esquina?
E por que tudo morre nas palavras?
Por que não faço nada?
É o sistema? A política? A vida? A justiça divina? A reencarnação? Ou o 
simples acaso?

O que é o homem sem o que ele criou para se proclamar homem?

Eu não vejo os animais tristes ou com depressão.
Não vejo eles roubando nada que não seja deles.
Não vejo eles matando por drogas, nem invejando os outros.
Não vejo os animais falando mal dos outros, nem pensando coisas más.

O que é o homem sem o que ele criou para se proclamar homem?

O que seria o homem sem Deus?
Pó das estrelas? Sorte do universo?
Probabilidade cósmica?
Filho de gorilas?

O que é o homem sem o que ele criou para se proclamar homem?

O que é o homem sem sabonete?
Sem shampoo? Sem um pente?
O que é o homem sem sapatos? Sem bolsas? Sem dinheiro?
O que é homem sem emprego? Vagabundo?
O que é o homem sem todas as regras que ele criou para tornar importante 
o que faz?
O que é o homem sem regras e sem conhecimentos que não geram conhecimentos?

O que é o homem sem o que ele criou para se proclamar homem?

O que é o homem que segue seus sonhos?
O que é o homem que sonha? Que larga tudo para seguir seu coração?
O que é o coração do homem?
Existe uma alma aqui? Dentro de mim?
Dentro de você?
Existe uma alma? Existe bondade aí dentro? Dentro desse punhado de ossos 
e revestimento de carne e sangue? Existe uma alma aí dentro?
Existe?

Não parece.
Porque,

O que é o homem sem o que ele criou para se proclamar homem?


Dodo.

O Problema




O problema não é dinheiro, isso é bobeira.
O problema não são as pessoas, não, afinal elas são o que são, quase 
nunca mudam.
Mas eu sou prova viva de que toda pessoa é capaz de mudar, de se tornar 
melhor, de ser feliz. Basta encontrar uma pessoa do bem, um exemplo, um 
espelho.
Para alguns um anjo.
O problema não é o trabalho, não, isso passa.
O problema não é o mundo, não, o mundo é bonito e feio, só depende da 
forma como a gente enxerga ele.
O problema não é a maldade, falsidade, inveja e nem a hipocrisia. Essas 
coisas existem para quem acredita nelas.
O problema não é a vida, não, ela é um presente, e presentes raramente 
são ruins.
O problema não é Deus, não, Deus não é problema, Deus é solução.
O problema não são os sorrisos e as lágrimas, não, essas coisas vêm de 
dentro, e o que vem de dentro a gente não possui muito controle.

O problema, o verdadeiro problema, eu sei qual é.
O problema, o verdadeiro problema, eu descobri.

O problema,
é ter um simples coração.

Dodo.

terça-feira, 19 de março de 2013

Não Vou Mentir Para Você




Não vou mentir para você.
Já passei por muito disso,
Aquela dorzinha no peito,
Aquela lágrima que não seca.
Aquela pequena decepção inesperada,
Aquela certeza que não deu em nada,
Aquela explicação que não deu em nada.

Eu não vou mentir para você,
Teve momento em que eu quis desistir,
Me entregar,
E eu havia desistido.

Tinha me fechado, e comecei a ver somente a escuridão do mundo.
E somente à ela me entreguei.

Não me julgue, você não sabe o que sinto.
E por isso eu decidi nunca mais sentir.
São sonhos demais perdidos para poder continuar.

Mas então você apareceu.
Não sei de onde, mas apareceu.
Me fez sentir o que eu já não lembrava. Me fez ver que o gosto de ter me fechado não é nada perto do gosto de te querer.
De ter meu peito batendo novamente, daquele friozinho na barriga.
Só queria agradecer à você.

E se isso for mais um sonhos que se tornará uma ilusão? – Diz a razão.

Tarde demais.

Irei seguir meu coração.

Dodo.

Nada Mais




Aos poucos, ele deixou de acreditar.
Não se pode dizer que foi culpa dele.
Não, foram muitos fatores que o deixaram daquele jeito.

A total culpa foi de seu sonhos, seus ideais, seus valores e suas fantasias.
Tudo aquilo que o deixava especial foi a principal causa que o afastou dos demais.

Paga-se um preço muito caro por ser diferente.

Hoje em dia ele parou de ver a beleza nas pessoas.
Tudo o que ele vê são apenas máscaras.
Belos rostos frágeis por fora, podres corações por dentro.

Mas não é por falta de ajuda ou amigos.
Ele até os tem, mesmo sabendo que eles se irão em determinada fase de sua vida.
Nem mesmo por falta de boas palavras.
Isso ele as tem de monte.

É que de certa forma ele se cansou das mesmas anedotas:
"O sol é amarelo, a grama é verde, o céu é azul, existe sempre um amanhã, não perca a esperança...",
e daí por diante.

Pode até ser seu destino passar por isto.
Quem dirá que não?
Mas ele descobriu, da maneira mais juvenil e simples,
o lado feio do mundo.

E isso de certa forma, impactou sua visão.
A ponto dele não saber discernir se sua visão está nublada ou se o mundo é realmente de tonalidade cinza.

Por um tempo ele procurou encantar,
e talvez até exista, dentro de si, uma parte que ainda queira encantar as pessoas.
Mas ele sabe que não existe encantamento,
apenas conveniência.

Ele já experimentou a felicidade e o amor.
Juntos na mesma época,
mas findou por descobrir que ambos são mortais,
dignos de terem um fim.

Ele pertence à um mundo de crenças infinitas,
mesmo que ele não as tenha mais.
Um mundo onde as coisas não acabam,
porque não há motivo para elas acabarem ou não existirem.

Talvez seja o fato dele gostar das palavras,
e elas terem se tornado sua única companhia nos últimos tempos,
devido, aos acontecimentos que o derrubaram,
ou talvez ao destino, coisa que ele nunca saberá.

Mas o fato dele criar seu mundo,
a partir de um papel e de uma caneta,
talvez o tenha afastado deste mundo em que vivemos e o colocado em seu próprio.

Fechado, afastado, calado.
As palavras sempre falarão por ele.
Ele não se sente bem, nem se sente mal.
Apenas se sente em casa, mesmo não tendo uma.

Talvez ele esteja preso em seu próprio mundo,
a ponto de não ver o mundo fora de si.
Ou o único mundo existente, seja, definitivamente,
o seu próprio.

Já experimentara a tristeza, a ponto de deixá-lo doente e de cama.
Mas não falou para alguém isso, guardou para si mesmo. Foi uma boa época para reflexões, enquanto delirava de febre, ensopando toda sua cama.
Ali ele percebeu o poder dos sentimentos e o quanto o ser humano é movido por eles.
Enquanto ainda deitado, quis desistir, se entregar.
E a escuridão fez morada nele por um tempo,
e ele se assustou tremendamente com o fato de ter se sentido relaxado, como um guerreiro exausto após seguidas batalhas e guerras.

Mas algo, exterior ou interior,
ou quem sabe o destino, não o deixou ser tomado plenamente pelas sombras.

Jurou para si mesmo que não poderia continuar daquela maneira.
Mas vãs são as palavras dos humanos quando surgem perante situações adversas.

Não demorou muito e as trevas o perseguiram novamente.
Depressão disfarçada de poesia, tristeza, falta de sentido.
Chegou muito perto de desistir de tudo.
E foi mais longe do que poderia imaginar nisso.
Pesquisou à fundo a vida de todos os seus ídolos e notou que todos eles chegaram às mesmas conclusões que ele havia chegado,
e aquilo o assustou, pois viu também o fim de cada um deles.

Mas algo, exterior ou interior,
ou quem sabe o destino, não o deixou ser tomado plenamente pelas sombras.

Não contou isso a alguém,
mas aquilo o assustou.
Chegara tão perto de colocar um fim naquilo, e logo daquela maneira?

Era até um tanto quanto uma contradição.
Era ela, a contradição que o matava, dia a dia, minuto a minuto.
Talvez não era para ter perecido perante suas próprias mãos,
talvez seu verdadeiro executor fosse a contradição, assim como a hipocrisia.

Viu que aquele que tentava encantar a todos, não conseguia mais se encantar.
Viu que aquele que tentava ajudar a todos, não podia ser ajudado.
Viu que aquele que fazia todos acreditarem no amanhã, estava preso no ontem.
Viu que aquele que secava todas as lágrimas, não tinha alguém para secar as suas.

Viu, acima de tudo, que tudo o que faria e sentiria dali para frente,
não passaria de brincadeira de criança perante o mundo adulto ao qual se encontrava.

Não se pode dizer o quanto tais percepções o afetaram,
tudo o que se sabe é que ele apenas anda em direção de seus dias.

Nada mais.

Dodo.