sábado, 9 de abril de 2011

Sim


Sim.
Dentro de minha vida sou livre,
A sociedade me prende.
Sou livre para agir,
mas preso pelas responsabilidades de meus atos.
Sou livre para falar o que quero,
mas preso pelos sentimentos daqueles que me escutam.
Sou livre para pensar da maneira que gosto,
mas preso pela minha própria consciência.
Sou livre para sentir,
mas preso pelo amor.
Sou livre para envelhecer,
mas preso pelo tempo.
Sou livre para ser feliz,
mas preso pela tristeza alheia.
Sou livre em minha alma,
mas preso pela minha carne.
Sou livre para ser bom,
mas preso pelos meus erros.
Sou livre para viver,
e não sou mais preso pela morte.

Acho que sou livre, de certa forma....

Dodo.

Passos de Um Novo Coração


1º passo:
Aprecia-se o bisturi. Desinfeta-o e prepara-o para a incisão. Neste momento o paciente está adormecido, em puro êxtase. Em pura morfina e sedativos. É o momento em que ele sabe que vai ser cortado, mas mesmo assim ele entra nessa situação. Por que?
2° passo:
 Faz-se um mapeamento da área a ser cortada. Perto do peito. Geralmente o paciente sente uma leve pontada na área que logo será cortada. É como se ele sentisse que vai sofrer um corte, mas mesmo assim ele nada pode fazer por causa dos sedativos.
3° passo:
O corte é feito. A dor é incessante. Forte, invencível. A pele vai-se rasgando aos poucos. Milimetricamente no ponto em que precisamos para que o coração seja tirado. A dor é profunda e o paciente sente, dentro de si que algo estar-se à rasgar dentro dele. Embora o corte pareça superficial e exterior, a dor é bem interna e real. Sente-se no ponto mais fraco do paciente, porém também no mais forte. O coração.
4° passo:
O coração é retirado do corpo. Ele não se encontra em seu estado original como antes da operação já agendada tempos atrás. Ele se encontra em pedaços, quase que partido. Não está velho, porém está longe de ser novo. Ele pulsa, de maneira fraca, serena, quase não dá para escutar seus batimentos. Nas mãos do doutor o coração parece desfalecer-se, desfazendo-se, separando-se, quase que como cacos de vidro que não se conseguem juntar.
5° passo:
O novo coração é segurado pelo médico. É um coração novo, belo, brilhante, pulsa fortemente, está cheio de esperança. Parece um pouco revestido de esplendor e de proteção externa. Lembra-se diversos ditados. Um coração invencível, forte, poderoso. Parece duro como pedra, nobre como uma montanha.
6° passo:
O novo coração é colocado no lugar do antigo. Ele cabe certinho no vácuo que ali ficou no peito do paciente. Embora de tamanhos diferentes, é surpreendente que caiba dessa forma, mas mesmo assim coube.
7° passo:
O paciente começa a estranhar o coração novo. Os demais órgãos parecem querer expulsá-lo do corpo que outrora foi ocupado pelo verdadeiro coração. Aquele velho, maltratado e despedaçado.
8° passo:
O paciente morre. O coração velho também. O novo igualmente.
Dodo.

Palavras Soltas I


Toda vez que eu tento entender, o que se passa antes do que já foi, já se foi antes de eu pensar, em mim mesmo e em você. Se isso é o começo de algo fora de si mesmo, o mesmo acontece dentro de si, mas você não percebe. E perceber se torna o erro de todos os que já tentaram amar alguém. Porque o amor está tão defasado que quando surge, não surge, apenas desaparece antes de fazer-se novo e nascer. Ele fica esperando nascer de novo, na esperança de algo novo, novamente se torna a essência daquilo que não possui forma e que por final perde a essência do fim. Antes de começar parece que temos de terminar, porque o fim nada mais é que o fim. Porque a defasagem moral se contradiz com algo acima do que estamos esperando? E se esperamos a falta de vontade, como isso, porque ainda gastamos tempo tentando provar que a prova nada mais é que a vontade de se machucar? E se machucar é machucar o outro? Porque o outro nunca está lá por você, mas você sempre está procurando outro, e o desencontro se encontra no horário marcado pelos encontrados. Palavras acima de tudo, nunca mais vi o que se passou, pois foi tão rápido, que de certa forma foi assustador. Se mostrar não adianta, o que adiantaria? Em que adiantaria? Nada é a resposta não apenas para essa pergunta, mas para as que mais envolvem a todos.

Desculpem.

Talvez Seja o Que Sou


Eu gosto do que vejo,
Do que sou,
Daquilo que é verdadeiro,
Do que não restou.

A verdade se esconde em você,
Mas sempre se recusa,
A se mostrar verdadeira,
E geralmente se apresenta de maneira confusa.

Se sou aquilo que não gosto,
E se a dor me envolve,
Com um falso sorriso,
Tudo se resolve.

Sobre as paredes e máscaras,
Vejo e me torno o que sonho,
Sempre vejo a todos,
E isso se torna medonho.

Não pense que sou aquilo que você pensa,
Mas talvez em todo lugar se esconda,
Um pouco do meu coração, meu pensar,
Meu sentir, serei sempre aquele que a tudo sonda.

Já escutei, que no escuro,
Nem sempre se vê as lágrimas,
Que descem pelo rosto,
Muito menos as antigas lástimas.

A importância se torna cada vez menor,
Daqueles que querem viver a fantasia,
Da perfeição e felicidade,
Muito pouco se tiraria.

Tudo é rápido,
Mais do que deveria.
Pela felicidade de todos vocês,
Eu me feriria.

Sangraria a vontade,
Daqueles que vivem escondidos,
Daqueles que pensam estar certos,
Dos verdadeiros bandidos,
Daqueles que são esmagados,
Sempre seremos rendidos.

O tempo é curto,
A vida nem sempre é longa,
Mas é neste pensamento,
Que a beleza se desmonta.

Sobre palavras,
É como estar a brincar,
É a verdade,
Querendo se criar,
Ela ameaça as razões,
Ela destrói o amar.
O medo existe pela vontade,
Daqueles que não sabem demonstrar,
Aquilo que sentem,
O reconhecimento do gostar.

Viva o medo,
Viva o medo de se arriscar!
Aqueles que deram seus corações a você,
Um dia irão acordar!

Dodo.

Dama


O quão perfeita e bela,
Uma pessoa pode ser?,
Quantas pessoas únicas como ti,
Em minha vida irei de ter?

Ao seu lado,
A solidão se assustou,
Meu mundo caiu,
Você o mudou.

Junto de ti,
O tempo logo passou,
O mal não teve vez,
O amor se mostrou.

Quando eu achava estar incompleto,
No amor você me fez acreditar,
Me fez ver a vida,
De um ângulo difícil de se achar.

Meu coração foi só seu,
E as lembranças sempre minha mente hão de invadir,
Sua pessoa não sairá de meu peito,
Você nunca daqui de dentro irá sair.

Nosso amor foi único,
E assim prefiro pensar,
Foi mágico, especial,
Verdadeiro, eterno, e assim há de ficar.

O fim nada significa,
Quando o amor o tempo vence,
E assim irei te amar,
Pois sua pessoa sempre há de me deixar contente.

Brava, nervosa, revoltada,
Sempre errado minhas palavras há de interpretar,
Mas eu já estou acostumado,
Não tenho razões para fazê-la mudar.

Você é mais do que pensa,
E mais do que jamais conseguirá enxergar,
Você possui uma luz única, que a torna especial,
Uma luz que eu apenas comecei a despertar.

Por isso,
Há sempre de se questionar,
Em que,
Um amor como o nosso poderia se tornar?

Na mais bela força do ser humano,
Com quem ele sempre poderá contar,
Em uma verdadeira amizade,
Que apenas começou a brotar.

Eu já disse,
Milhares e milhares de vezes irei recitar,
Tudo passa, tudo passará,
Mas corações nunca irão mudar.

Não é porque você não mora mais em meus braços,
Que eu não possa te abraçar,
Não é porque não toco mais seus lábios,
Que eu não possa te amar,
Pois dentro do seu coração,
Saiba que comigo sempre poderá contar.

As razões da nossa separação,
Ainda são um segredo a descobrir,
Mas é claro que assumo a culpa,
Pois tudo que toco sempre há de ruir.

Se você soubesse o quanto é única, perfeita e especial,
Embora você teria de ir,
Junto de suas irmãs, as mais belas estrelas do céu,
Teria de se reunir.

Sua forma humana apenas é uma máscara,
Do que você realmente é,
Aquela que só merece felicidade,
Uma bela mulher.

Não ligue para aqueles,
Que dizem sem parar:,
“Se era para sempre,
Porque juntos não hão de estar?”

Para estes, que se riem disso,
Apenas temos de responder,
Que nosso amor venceu o anoitecer,
Passou levemente sobre o amanhecer,

Como uma brisa que vai até o fim do mundo,
Nosso amor no caminho mudou,
Ainda é eterno e para sempre,
Em uma verdadeira amizade se transformou.

A você, devo quase tudo que sou.
Se não fosse você em minha vida,
A mesma já estaria partida.
Dama, da solidão você me salvou.

Crônicas de Ônibus


Adentra-se em um ônibus. As 17:30 ou as 06:30.
Pera aí..Você entrou no ônibus? Como conseguiu?
Se você entrou no ônibus é de se apostar que esteja preso na porta. Portanto você ainda não entrou no ônibus porque seu pé pode estar para fora do mesmo, ou metade do seu corpo. E como em um jogo de futebol, ou entra tudo ou não é gol.
O motorista está sempre cercado por corvetes. O que seriam essas espécies? São os puxa-sacos do motorista que o envolvem, fazendo amizade com ele para não pagarem passagem. São os responsáveis pela grande dificuldade de se adentrar em um ônibus. Qualquer semelhança com corvos é pura coincidência. São distribuídos em dois setores. No motorista e no cobrador. Dificultam a entrada no ônibus e a passagem pela roletinha, ou melhor, pela famosa catraca.
Depois de praticamente voar por cima das corvetes, você se depara com uma enorme fila pela catraca. Ocasionada simplesmente por aquela pessoa que está com o bilhete quebrado ou que está contando moedas, todas de 5 centavos.
A catraca é a porta dos desesperados. Se eu fosse comparar, a entrada do ônibus seria o jardim e a catraca seria a porta da casa. Ou seja, você apenas passou pelo começo.
Pode-se separar a vida de um ônibus como A.C e D.C. Antes da catraca e depois da catraca.
Uma olhada para a região após a catraca e você percebe onde está. Em uma verdadeira balada. É tanta gente, tanta gente que falta apenas uma música para transformar este espaço em uma gigantesca balada sobre quatro rodas. A música as vezes até que tem, mas...é sempre funk dos celulares dos nikemans, ou forró dos tiozinhos. Daí complica.
Passa-se a catraca, geralmente isto é feito no meio do percurso para frente....
Pronto. Você está no mar de pessoas. Pode soltar o braço das hastes. Não se preocupe, você não vai cair. Daí para frente você irá provar a teoria de que o ser humano pode sim se transformar em um invertebrado.
Fora que, você se tornará um exímio dançarino. Sempre na ponta dos pés, driblando todo mundo, vai ser difícil não aplicar estes passos em alguma festa que você for.
Da catraca para frente, vale a lei do mais forte. Seu destino? A porta de saída. Seus inimigos. O exército inteiro de pessoas da cidade conhecida como São Paulo. Depois de 300 de Frank Miller, eu lhes apresento os 600 de SP.
Comprovado pelo I.D.Q.E.S.I.P.E.N.O.D.S (Instituto dos Que Estão Sem Inspiração Para Escrever na Ordem do Saber), abaixo se seguem os seguintes dados:
- De cada 100 pessoas que você vê no ônibus, 98 estão dormindo (mesmo em pé), exceto você e o motorista (ainda bem...), porque o cobrador já foi dessa para melhor faz tempo
- O ônibus é o único lugar que desmascara o INMETRO. Ele diz que dentro do ônibus cabem 60 pessoas. Mentira. Às 17:30 cabem exatamente 467 pessoas.
No percurso até a porta da esperança, ou seja a de saída, você verá que antigas brincadeiras ainda não morreram. Um exemplo é a dança das cadeiras. Estratégicamente, muitos já sabem onde as pessoas irão descer e logo começa uma verdadeira batalha para ver quem irá sentar no lugar da pessoa que se levantou.
Dica: Nunca, nunca, por nada em sua vida sente nos assentos amarelos. Jamais. Muitas vidas inocentes já foram tiradas e muitas mães dos que sentaram nestes assentos já foram xingadas por causa deste assento.
Encoxamentos, pessoas safadas, possíveis ladrões, tranca ruas (pessoas que ficam no meio do corredor sendo que poderiam ir para o fundo...), pessoas que querem ser encoxadas, pessoas que tem síndrome de encoxamento (basta encostar o braço que a pessoa acha que você a está encoxando), barreiras fixas (são as hiper sacolas de compras que somente quem treina triatlo pode pulá-las), são alguns dos inimigos que você irá enfrentar até chegar à porta do fundo.
Não desista. Você está quase lá.
O ônibus nos ensina algo que as escolas nunca irão ensinar. Força de vontade e garra. Porque sem isso você desiste no meio do caminho e desce apenas no terminal.
Atenção: no ônibus as pessoas tentarão jogar todas as suas frustrações de seus trabalhos, casas e demais assuntos em você. Por isso fique atento aos sinais. Todo passageiro se comunica por uma linguagem própria de ônibus, que se chama: “tsc”. Esses tsc são extremamente perigosos. Se você escutar mais de quatro tsc de um mesmo passageiro, saia de perto dele, porque a barra de estresse dele vai logo se descarregar. Em você.
Existem ainda demais barreiras. Se o dia estiver chuvoso. Se prepare para entrar na selva. As janelas fecharão, e o ar dirá tchau ao ônibus. Todos estarão com cheiro de cachorros molhados. Vai ser uma festa e tanto na piscina móvel.
Depois de muito pular, voar, rastejar, espremer. Você chega à porta de fundo. Provavelmente você avistará mais um clã. O clã dos porteiros. Todo o dia eles estão nas portas. São sempre os mesmos, é só notar.
Você desceu.
Dica: Confira se você ainda possui duas pernas e dois braços. Eles podem ter ficado para trás no meio da jornada. Confira se você ainda está vestido e se você ainda possui pele.
Se você está do mesmo jeito que saiu, sem nenhum arranhão, ou dente quebrado. Parabéns! Você conseguiu!!!! Você desceu! Alegre-se pois amanhã começa tudo novamente!!!!!!

Crônicas de Barata



NUNCA! NUNCA!!!

Nunca tive tanta certeza em minha vida de qual espécie viva (se é que elas são seres vivos, porque para mim são seres das trevas) dominará o planeta no fututo.

Elas mesmas. As criaturinhas mais fofinhas e alegres do mundo. E não estou falando dos Muppets nem dos Ursinhos Carinhosos.

São elas caros amigos.

Baratas!!!!!

Sim, sim, ficou ainda mais evidente para mim o que elas estão planejando. Elas pensam que eu não sei o plano delas, pensam que eu não vi. Mas eu vi meus caros. Eu sei do que estou falando.

As baratas irão dominar o mundo.

Tive essa certeza esses dias.

Enquanto nós humanos estamos andando sobre a superfície, nos achando os gostosões do planeta chamado Terra (que no futuro se chamará planeta Barata), elas estão onde nem imaginamos. No último lugar onde pensamos. Embaixo de nós!

E não são uma, são milhares!! Dezenas de milhares delas, em um terrível exército, infinito e mortal.

Elas estão apenas esperando, apenas observando-nos enquanto estamos nos sentindo os ban-ban-bans da parada. Esse planeta não é nosso. Nunca foi. Nós o roubamos delas. Elas existem há muito tempo. Bem mais que nós.

Roubamos a superfície delas.

Há quem diga que não foi um meteoro que acabou com os dinossauros, mas sim, elas mesmas. As baratas.

Sim, pois porque existem fósseis de dinossauros, mas nenhum de baratas??? Porque elas venceram a batalha contra seres bem maiores que elas. Por que? Simples. Elas são um exército.

E são chefiadas pela hiper barata. A mais asquerosa de todas. Dotada de 80 metros de altura e mais de 600 kilos de pura viscosidade e nojeira. Vive no centro da terra, ou perto de lá. Bem perto dos nossos esgotos. Apenas procriando, dormindo, apenas dando ordens para os generais baratas atacarem de vez em quando.

Mas não se enganem. As baratas que vemos aqui em nossa superfície, muitas delas são do bem. Sim, isso mesmo.

Elas são as excluídas do submundo. Lá embaixo, no reino das baratas, nem todas querem nos matar e dominar novamente o planeta. Essas, coitadas, quando pegas, são mortas. As que sobrevivem, sobem até nossas cozinhas, banheiros e quintais, querendo nos avisar, mas claro, somos tão ignorantes que sempre as esmagamos.

É por isso que elas sempre tentam voar em nossa direção, andam por sobre nós de noite, e querem sempre estar em nossas cabeças. É para poderem chegar bem perto de nossos ouvidos e dizerem: “cuidado, vocês tem que ter cuidado com nossas irmãs lá de baixo”.

Não é culpa delas não possuírem cordas vocais.

Mas nós não damos chance a elas, não é verdade?

Tsc, tsc.

Coitadas.

Algumas das más baratas. As “bad”, sobem também pela superfície.

Notei essa semana um verdadeiro ataque, e é possível que vocês estejam passando pelo mesmo que eu.

Não é uma ou outra. São várias ao mesmo tempo. Um verdadeiro exército delas. Cada uma com uma habilidade. Se você reparar, andam sempre em três ou quatro. Das quais duas voam, para poderem ver melhor o ambiente e atacar do alto, uma é pequena, rápida e ágil para escapar dos nossos ataques e uma é normal, para ser a isca, mas provavelmente ela é a mais inteligente das quatro.

Mas com certeza, as quatro são as que vemos. Pois acredito que elas subam até nós em mais de dez ou vinte.

Já reparou como elas se assustam quando você as vê no seu guarda-roupa ou debaixo de uma estante, ou coisa assim? Quando elas são flagradas? Elas não correm por sobrevivência, correm para esconder o que analisaram, roubaram, ou deixaram.......

Em breve, em breve veremos a subida de todas elas. Isso eu afirmo.

Quem possui medo de barata? Poucos não é?

Mas quando subirem 90 BILHÕES delas, acho que não terá jeito. Até os mais corajosos correrão.

As casas serão atacadas, cada ser humano terá 90 delas em cima do corpo. Será um ataque rápido e eficaz. E o rei barata subirá novamente ao lugar que era dele. Nossa terra.

Pode ser que isso que o que eu vi tenha sido um sonho, ou não.......

Mas o beneficio da dúvida se fez presente......

Você consegue duvidar?

Dodo.

As Flores



As flores cantam,
Respiram o ar,
Mas o fato de eu não te esquecer,
Elas não conseguem explicar.

Vejo todas elas, uma a uma,
Vivendo tão paradas, mas tão vivas,
Que eu tive de perguntar,
Como vocês fazem para viver sem amar?

A luz do sol bateu sobre elas, e então as vi se abrindo,
Eram tão belas que o cheiro me fez olhá-las,
E embora eu não quisesse,
Logo estava sorrindo.

Nunca estavam sozinhas e por um momento,
As invejei,
Sempre formando um jardim bonito,
Foi aí que notei.

Um pássaro veio,
E logo beijou a flor com seu bico,
Essa foi sua resposta, mas sinceramente me perguntei,
Como eu fico?

Foi aí que as flores começaram a dançar
Como que em uma festa,
Iam de um lado a outro, sem parar
Tentando me incluir nesta
Tive logo de recusar
Para poder com o coração pensar
Não é possível que aja apenas uma linda flor em um resplandecente jardim
Não é possível que aja apenas uma única bela flor para mim.

Como de súbito,
Por pensar em ti,
Fui expulso desse jardim.

Como presente de despedida,
Disseram-me que eu não estava salvo,
Minhas mãos sangravam,
Porque eu ainda carregava um cravo.
Disse a elas que este cravo era meu amuleto,
E que pertencia à mais bela flor existente,
E que embora eu vasculhasse todos os jardins do mundo,
Nenhuma rosa vermelha poderia me deixar mais contente.

As flores me perguntaram onde estavam as pétalas,
Desta flor que foi embora viver em outro vaso,
Eu disse que na separação,
Escolhi ficar apenas com os espinhos do cravo.

Que os manteria guardados,
Fincados em meu peito,
Que todas as noites, para sempre, me lembraria da flor,
E que me disseram que tudo no final arruma-se um jeito.

As flores balançaram suas cabeças,
Dizendo novamente que eu estava errado.
Em guardar algo que me machucava,
Algo que me fazia sofrer, não querendo ser achado.

Elas perguntaram se eu ainda regava este cravo,
Esperando de forma boba que esta flor nascesse novamente para mim,
Respondi meio que a contra gosto:
- Sim.

As flores se fecharam novamente,
Não quiseram mais conversar.
Este foi o sinal para eu ir embora,
Para meu mundo voltar.

Antes de ir embora,
Olhei para trás,
As flores eram tão belas,
Tão cheias de vida,
Que foi difícil partir.

O tempo irá passar,
Talvez com ele também as dores,
Mas elas ainda estarão lá,
As flores.


          Dodo.

A Proporção do Pouco


Talvez haja mais incompreensão,
Em um terço dos meus dias,
Do que acreditar que a vida,
Possui mais de duas vias.

A alma ferida,
De propósito a se acostumar,
Busca respostas em um muro,
Que o tempo está prestes a derrubar.

O frio se torna o melhor amigo,
O vazio o único mundo,
A solidão a única companheira,
A falsidade rasgando até o fundo.

Do que não se tem,
Da espera pela espera do tempo,
Proposto por pessoas,
Que soltam palavras ao vento.

Tais palavras ressoam ao fundo,
Do meu coração,
Me deixam feliz,
Mas tudo se trata de uma ilusão.

A felicidade que procuro é a que tenho,
Mas mesmo assim o muito se torna belo,
Mas não mais que o pouco,
Que tem suas proporções aumentadas,
E que me deixa cada dia mais louco.

A angústia já passou do tempo,
De cicatrizar e dar asas,
A um leve,
E belo luar,
Um céu estrelado,
Há muito tempo,
Já sonhado,
Perto do que acho que seria,
Um mundo onde a sinceridade viveria,
E todo mal,
Combateria,
Onde meu sentimento não morreria,
Por tuas mãos.

Onde eu iria,
Poder ser o que sempre quis,
Longe daquilo que me orgulho do que sou,
Mas eu poderia fazer novamente o que já fiz.

Mas a frieza está amparada por longos braços,
Onde a justiça já se foi há muito tempo,
Onde nunca há chances para brotar amor,
Onde nunca há nosso momento.

Todo o sentido dos outros,
Já se bastou por vir,
Um sentido sem sentido,
Um sentir sem sentir.

Uma máscara que cobre tudo,
Através de uma perfeição,
Que esconde,
O próprio coração.
Uma gana de querer ser mais que o outro,
Um mundo que gira em torno de competição.

As boas intenções já se foram há tempos,
Ninguém acredita mais,
Os valores se foram,
As pessoas se perguntam: “quais?”

Nada vai embora,
Nada morre, nem tudo é presenciado,
O que é verdadeiro ainda existe,
Apenas não é aceitado.

Por que?
Me pergunto todos os dias,
Mas as respostas são tão inúteis,
Tão fracas, tão idiotas,
Tão falsas, tão fúteis,
Que é melhor nem escutá-las,
É melhor deixar o silêncio abafá-las.

Pois é apenas isso,
Que se sabe fazer, não é mesmo?
Ignorar.
Ignorar a esmo.

Quantos mais são resgatados,
Mais ainda são perdidos,
Quanto mais se dá,
Menos se é recebido.

Essa é a regra,
 n° 1 do ser humano,
Ser cego,
Ser desumano.

Animais correndo,
Atrás de prestígio,
Procura-se corações,
Mas não há sequer um mínimo vestígio.

Eu sinto que a noite,
Está cada vez mais a me fazer companhia,
E que cada vez menos,
Vejo o brilhar do dia.

Sinto que posso tocar as estrelas,
A lua, o sol, mas sofro com um único por que,
Mas o que me mata mesmo,
É saber que posso tocar você.

Cada vez mais,
O que é verdadeiro é considerado louco,
Mas talvez esta seja,
A proporção do pouco.


Dodo.

domingo, 3 de abril de 2011

Ordem do Saber


Diário

01/04/2011

Como separar icebergs de pessoas?

É notável e de mesma forma muito triste como as pessoas andam tão frias e sem alma.

As perguntas que são automaticamente respondidas por uma imensidão de hipóteses são as mesmas que nunca encontram suas próprias respostas.

Os tempos modernos estão nos mostrando verdades e mentiras misturadas através de máscaras e barreiras até o coração.

É de fato que muitas pessoas sofrem dores maiores que podem agüentar em certo momento. Mas o resultado disso, vindo claro, do orgulho e da falsa honra, é o de se fechar e se colocar acima de tudo e de qualquer sentimento que possa surgir. Dessa forma, esse pensamento que eleva um degrau no ego pesso do ser humano, o leva a crer que ele é invencível, e que ele não precisa de nada para aquecer sua alma e seu lado emotivo. Tudo o que ele precisa é ser frio e calculista para conseguir o que quer. Isso claro, vindo de seu subconsciente. Provar que continua vivo e que agüentou o que tinha passado. Provar que é mais do que seu passado e do que ele causou.

É um pouco melancólico saber que muitas pessoas estão agindo de forma a esquecerem de tudo o que passou, quando na verdade estão esquecendo de quem são, e mais verdadeiramente esquecendo de seus corações.

Músicas românticas estão fora de moda. Poemas e cartas de amor são jogados fora. Dizer, e mais longe ainda, admitir que se ama é considerado clichê demais nos tempos “modernos”.

É óbvio que o moderno pode facilmente ser substituído por “frio”.

É bem mais fácil mentir para conquistar, exibir carros e jóias para impressionar, se mostrar vagabundo para atrair, mas bem mais fácil ainda é a mentira viva que isso acarreta.

Ao nosso redor notamos, sem parar, pessoas que estão perdendo suas almas para o mundo e o que ele traz.

As artes estão perdendo seus valores.

Todos querem apenas se focar no trabalho, e no trabalho (dinheiro) falar. E por ele esbanjar e se exibir.

Já se foi o tempo em que olhávamos para o coração, e lá achávamos o que precisávamos.

Nesses tempos de inverno, o frio de quem tocamos enrije-se a pele, os olhos, a vontade e a coragem.

Já não nos perguntamos se a outra pessoa precisa de nós. Já não perguntamos às pessoas se elas precisam de algo. Já não estamos mais vivendo como deveríamos.

São tantas obrigações, uma mais pesada que outra, que nossos olhos nem mais olham para frente. Mas apenas para cima.

Olhar altivo faz você tropeçar.

E quando cairmos, vai ser difícil levantarmos.

É difícil encontrar pessoas que querem servir. Todos querem ser servidos.

Todos querem ser chefes, querem mandar. Mas não para ensinar. Querem mandar pelo gosto do poder. Pelo gosto de esbanjar.

E pelo poder, poderem dizer a si mesmos. Eu sou.

Mas o que somos realmente?

Pedras?

Simples caixas vazias? Sem coração? Vivemos tanto assim pelas aparências que nos esquecemos de viver? Queremos tanto ser mais que os outros e para isso teremos mesmo que jogar fora o que nos torna humanos? Temos mesmo de ser tão frios uns com os outros? Tão trouxas?

Temos mesmo de ser tão adoradores do dinheiro?

Não bastaria segurar a mão de quem precisa de uma mão? Temos mesmo que passar por cima de tudo para conseguir o que queremos? Temos mesmo que nos jogar no mundo e brincar pelas regras dele?

O que é um abraço hoje?

Novamente afirmo que essas não são perguntas, mas respostas.

Estamos tão presos em nós mesmos que não conseguimos olhar ao nosso redor. Não conseguimos olhar para outras pessoas. Olhamos apenas para nós mesmos. O que importa somos nós, o resto que se vá.

Que pena que todos pensam assim. Que pena que o egoísmo cega e emudece nossa alma dessa forma. Pois um mundo desse jeito apenas irá, dia a dia criar tristeza em todos, um por um.

A altivez vai ter sua prova uma hora ou outra.

Somos aquilo que fazemos. De certa forma fazemos o que somos.

O que virá em troca de toda a nossa frieza?

Eis a resposta em forma de pergunta.

Dodo.

Ordem do Saber


Diário

18/03/2011

Acabou.

Se tudo o que havia, da vontade incessante de verdade. Da prova que não havia, ou sequer houve algum dia, acabou neste momento.

Nada acaba, e disso estamos cansados de saber. Muito menos se transforma. Mas há questões que nos impõe um modo reflexivo de pensar sobre o que somos e o que nos rodeia. Por que existe um fim? E por que as maiorias das coisas que possuem um fim, não se dão sozinhas, mas sim, somos nós mesmos que colocamos um fim?

Simples.

Porque o ser humano em si é o fim.

Ele anda e está muito desacreditado do conceito de início. Nada se inova para nós hoje em dia além do estupefato prazer ideológico da mentira e da arrogância do pensamento materialista e mundano.

Na acaba além do coração, que é forçado a ser jogado de lado quando temos uma escolha com duas variáveis: seguir o mundo e seus conceitos ridículos, mas que possuem sentido em sua própria esfera, ou seguir o mundo e achar que está fazendo a diferença, quando na verdade, quem pensa dessa maneira, sem usar o coração, é mais tolo que se usasse. Nas se faz a diferença seguindo o mundo, e apenas corações fortes conseguem enfrentar a redoma pela qual não vemos espelhos de nós mesmos. Não mais.

Temo que nunca mais enxerguemos nosso reflexo no espelho da consciência da vida, mas apenas uma imagem nublada de nós mesmos. Imagens que criamos de nós para sermos aceitos na vida humana e na sociedade. Um contentamento que vem desde a infância, sem percebermos.

Temos os mesmos problemas de outrora, os mesmos que levam ao fim.

E aí sim podemos dizer que acabou.

Acabou o bater de asas daquilo que chamávamos de perfeito. Porque dentre o mal do fim e o bem do início, não existe vôo, muito menos carona. Tudo está em nós mesmos.

Mas o impressionante da vida é que ela nunca tem fim, além do fim dela mesma. Pois a vida se renova a cada respirar e a cada parada de coração.

Pois enquanto houver amor haverá começo. E o começo nunca está perto do fim. Somente o fim está perto do começo.

A cada manhã podemos dizer que “nunca houve noite que pudesse impedir o nascer do sol” – Padre Marcelo.

Pois o fim que pensamos nunca é o fim que esperamos ou sentimos.

O fim em si é dado pela morte de um sentimento. Infelizmente, embora corações não mudem, sentimentos sim. Por causa das pessoas não mais gostarem deles. Tudo por causa do fim.

O fim só se dá de forma completa quando as pessoas o assumem como condição única e exclusiva de um começo. Quando se apegam a ele de forma a se esconderem nele.

É então que abrimos a caixa chamada corpo e imagem e achamos o que não esperávamos lá dentro. O nada. Oco.

Simples corpos vagando e esperando pelo fim.

Para poderem dizer a si mesmos:

- Acabou.

Dodo.

Ordem do Saber


Diário

15/03/2011

Jamais pensemos que acima de nós mesmos, e por onde caminhamos, o nosso passado não anda conosco.

Tolos são aqueles que o esquecem, errôneos são aqueles que o guardam.

Nosso passado é como a ponta de uma linha infinita que se chama vida humana. Lá estão todas as explicações do que somos e do que estamos vivendo. Ou seja, nossa vida presente, só se tornou presente pelo nosso passado. Seja ela ruim, ou boa.

Na obviedade de que nosso presente se tornará passado, a pergunta da escolha se faz presente dia a dia em cada momento que passamos e vivenciamos: “como queremos que nosso futuro seja?”. Prestemos atenção ao presente. Pois ele se tornará o passado, e dessa forma se tornará o primeiro degrau de nosso futuro, do momento presente em que nos perguntaremos novamente se fizemos o que era certo ou não.

Nosso passado é como uma mochila em nossas costas. Ele se encontra amarrado em nossos ombros, e somos obrigados a carregá-lo durante a caminhada no deserto dos tempos presentes.

Algumas pessoas largam essa mochila no meio da areia, a deixam para trás, no meio do nada, para diminuir o peso que levavam, peso que os impediam de seguir mais rápido rumo ao oásis chamado felicidade. O problema é que na mochila estão as provisões para que agüentemos a caminhada. E não são todos que conseguem andar sozinhos pelo deserto e chegarem até o final. E os que chegam, em sua maioria, se encontram tão exaustos, tão cansados, que precisam de um bom tempo de descanso para que possam desfrutar do oásis que encontraram, e dessa forma não conseguem enxergá-lo de uma forma 100% claro.

No passado estão nossos erros, que muitas vezes são acertos percebidos no tempo certo, e queiramos acreditar que assim seja. No passado estão nossas falhas, que muitas vezes gostamos apenas de esquecê-las, quando na verdade elas são o chão pelo qual caminhamos. No passado estão todas as dores, e todas as lágrimas, que geralmente não conseguimos esquecer tão facilmente, pelo menos da forma como gostaríamos, ou do modo como fingimos aparentar ter esquecido.

No passado estão os melhores sorrisos que encontramos até então, aqueles que fazia-nos rir junto, apenas por ver aquele sorriso sincero, vindo do coração. No passado estão nossos melhores momentos, aqueles que guardaremos cheios de vida dentro do coração, aqueles que nunca esqueceremos tão facilmente, ainda bem, mas que o mundo as vezes nos distrai, fazendo-nos largar no meio do caminho.

No passado está a chuva, que nos molhou e nos entristeceu, que nos impediu de sair para brincar, que acabou com nossos planos, mas que nos fez descobrir que dentro de nossa casa havia mais diversão que lá fora, e que dentro de nós mesmos estava toda a verdade que buscávamos do lado externo. No passado está o sol, que limpou o céu nublado, deu luz ao nosso dia, fez-nos sorrir, criou imagens belas no céu com suas nuvens, deu luminosidade em nossa treva, mas que nos queimou quando ficamos demais debaixo dele, fez a gente se tratar e ficar um bom tempo dentro de “casa”, se recuperando, e com medo novamente de sair no sol.

No passado estão o verão e o inverno. Que nos tornou soltos e presos. Cansados e belos. Acolhidos e solitários.

Nosso passado, por incrível que pareça é o nosso legado, é nossa história, não deveríamos sentir vergonha dele, mas nos orgulhar de cada tijolo que construímos para chegar ao tempo presente, que por sua vez nos levará ao futuro.

E eu espero encontrá-los, todos vocês lá. Orgulhosos de nossos passados, felizes no presente, e esperançosos em nosso futuro.

Dodo.

Ordem do Saber


Diário

27/02/2011

O futuro é tão incerto, mas ao mesmo tempo certo que dá vontade de pegá-lo, amarrá-lo e depois jogá-lo fora. Talvez em busca de outro.

Paremos um minuto para pensar e veja quantas escolhas fazemos em nossos dias que mudaram drasticamente o presente.

Hoje somos o fruto de nossas escolhas passadas, e nossas escolhas do presente nos levam a crer e prever um possível futuro, que novamente passará por alterações.

O tempo presente sofre alterações do futuro, por mais difícil que possamos acreditar. Às vezes é como se fôssemos tomados por forças mais fortes que nós, e agimos conforme elas. É como uma vontade acima da própria vontade. E quando nos damos conta já realizamos, não por instinto, mas por puro sentimento de uma força maior, que geralmente retira dos humanos certa culpa ou peso.

É estranho e inexplicável, mas a relação presente-futuro traz na mente humana esse sentido extra. Um sentido de um propósito que existe até mesmo quando não se existe um.

Sempre existe uma divisão de sabedoria sobre a diversão (o presente) e a cautela (futuro).

O futuro claro é incerto. O presente, obviamente é mais incerto ainda. Se o presente é o futuro, e que por sua vez define o próprio futuro, com as ramificações das diversas escolhas, então o maior perigo para a vida humana em termos temporais, é o próprio presente que ele pensa ter total controle, quando na verdade ele vive o futuro a cada dia, a cada minuto, a cada segundo.

O futuro se forma a partir de cada milésimo de segundo a frente de nossas decisões.

Pensemos sobre um dia em que não escovamos os dentes, e por isso saiamos 5 minutos mais cedo de casa para o trabalho, escola, ou simplesmente na padaria. Nesses 5 minutos mais cedo, você é vítima de assalto, ou então conhece uma pessoa que depois se torna sua melhor amiga, ou quem sabe o amor da mesma.

Ou não, pelo contrário. Nesse dia, se você saísse no horário normal, você encontraria algo que o surpreenderia para sempre em sua vida.

A isso se pode chamar de força externa, ou simplesmente coincidência.

Uma palavra pensada muda um pensamento de uma pessoa referente a você. Ou não, uma palavra não pensada muda sua vida para sempre. Evita uma confusão, salva uma pessoa, alegra outra.

Uma chuva que lhe gripa, e lhe livra de um atropelamento no dia seguinte. Uma chuva que lhe gripa, e lhe rouba o dia que seria o de sua maior glória pessoal.

O presente é incerto. Pois o tempo presente é o futuro.

Mas nunca esperamos o presente, a gente sempre espera a vida. E a vida não possui tempo, mas sim possui essência. A vida é vida por si só.

Deixemos a critério de cada um acreditar em destino ou não, mas notemos de uma vez por todas que tudo o que acontece em nossa vida nos leva para onde queremos sempre estar.

A isto se pode explicar como orgulho, auto-contentamento ou não aceitação da derrota, sim claro, mas é de se denotar que sempre chegamos onde queremos, e pensamos: “se aquilo não tivesse acontecido, eu hoje acredito, não teria chegado até aqui”.

Devemos então esperar que tudo dê certo no final. E aí perguntar e notar que esperar deu certo. Ou não, a ação por sua vez fez o trabalho da espera.

As respostas virão a cada um, no tempo certo.

Mas algo é certo, como disse uma vez um líder nato de certa equipe de mutantes para seu mentor: “No final tudo dá certo. Se ainda não deu certo, é porque ainda não é o final”.

Dodo.

Ordem do Saber


Diário

19/02/2011

Pode-se chamar de força interior, auto contentamento, ou simples disfarce da mente (a também chamada morfina psicológica já citada aqui), mas o fato é que o olhar de cada ser humano muda a aparência de tudo o que lhe ocorre e da forma como lhe acontece.

Analisando pelo ponto de vista humano do que é certo e errado pode-se afirmar que todos possuem seus valores, todos vindos do ambiente que freqüentam e residem, além daqueles com quem convivem, por isso é claro dizer que enxergamos o mundo da forma como queremos e como achamos melhor, sempre levando em conta a naturalidade e individualidade de nossos sentimentos e força.

Assim sendo, se enxergamos o sol quando ainda está nublado, não podemos ser considerados loucos, nem ao menos displicentes, mas apenas credores de uma visão imparcial quanto ao próprio sofrimento. A dor nos pega de forma pesada, principalmente nos momentos de maior solidão, e é nesta hora que nossa visão de mundo entra ação.

Se enxergarmos algo péssimo, nem tão péssimo assim, nossa mente interpreta e agüenta, motivando-nos a continuar, mesmo sendo derrubados.

Tudo aparentemente é uma questão de enxergar de uma maneira diferente aquilo que nos é posto sobre nossos corpos e em nossos caminhos.

Um muro é difícil de ser escalado, mas pode nos separar do outro lado onde está acontecendo uma guerra. A chuva gripa, mas ao mesmo tempo lava a terra e nos traz a sobrevivência, e o que seria da felicidade sem a tristeza?

O apego aos sonhos nos faz desacreditar de ter uma visão mais otimista e menos mundana, ao contrário do que se pensa. A força no sonho nos faz sermos melhores, e este comportamento sim, ilumina e transforma nossa visão do que acontece conosco.

A vida não termina por muitos motivos aos quais achamos que ela começa a decair, e muitas dificuldades e sofrimentos passam mais rápido do que pensamos e raciocinamos.

O mesmo se aplica ao contrário.

O único caminho muitas vezes não é tão coberto de flores como vemos.

É ótimo sabotar a própria visão e nos libertar de nosso lado emocional para partir para o lado racional. Mas este é um caminho que pode não ter volta.

A vida do ser humano é baseada na luta tênue entre essas duas partes de nossa mente.

Um caminho pode se transformar em três, e nem todo deserto é seco.

Por mais que nossa visão nos ajude a sobreviver acima e abaixo de nossos próprios sois, o coração nunca é enganado, nem mesmo pelo próprio dono. É lá que fica tudo o que nossa visão oculta e transparece.

E um coração jamais se esquece, ou se deixa enganar.

Dodo.